18 de outubro de 2012

O trabalho que "não" dignifica o homem


Hoje parei para procurar umas imagens para o post da blogagem coletiva. Minha ideia era fazer o post com imagens que eu cresci vendo e me acostumei a pensar que aquilo era normal pq aquelas pessoas eram pobres e tinham que fazer aquilo.

Durante a busca cheguei ao site do Profissão Repórter que em julho exibiu um programa sobre esse assunto e lá estava a cidade onde nasci e vivi por muito tempo, Maceió, mais uma vez aparecendo na mídia com um mal exemplo.

Agora o que realmente me chamou a atenção foram os comentários baixo dessa reportagem. Olhem só:

"Como ja esperavamos! a rede globo com mais uma reportagens SENSACIONALISTA . Criança pode votar com 16a, pode ROUBAR, FURTAR e ficar impune, mas trabalhar nao! isso é uma vergona brasileira.Começei a trabalhar aos 11 na pequena emprasa de meu pai nem por isso morri, isso me fez ter mais dignidade e responssabilidades, onde aprendi uma profiçao. Hoje aos 26 anos tenho orgulho por ter inciado cedo e diser tenho uma esperiencia de 16 anos nesse ramo . pois hoje temos uma empresa de grande porte na area do transporte no meu estado, isso graças ao nosso trabalho."O TRABALHO DGNIFICA O HOMEM""

"Muito interessante a reportagem de vocês, porém as autoridades não levam em consideração que quando uma criança trabalha, não está na rua procurando drogas e outras coisas que vão prejudicá-las muito mais que o trabalho. Comecei a trabalhar com 9 anos de idade para meu pai lavando peças em sua oficina, de lá trabalhei em outras coisas. Isso foi importante para minha formação e agradeço muito a ele por ter me colocado para trabalhar cedo. Porém na época, me era cobrado o trabalho, mas principalmente o estudo, sempre tive boas notas mesmo ocupando metade do dia ao trabalhando."

"Vocês da Rede Globo deveram mostrar as crianças que estão sendo "adotadas" pelo tráfico e não gastar todo um programa desse mostrando crianças trabalhando como se isso fosse um crime mortal. Muitas dessas crianças mostradas no programa só não estão no craque ou coca porque estão trabalhando. Ah! Poupem-me..."

Depois de ler essas opiniões que considerei absurdas, mas confesso ter concordado com isso durante uma parte da minha vida. Eu pensava da seguinte maneira: o governo tem que tirar eles dessa situação, se não conseguem que pelo menos eles estejam trabalhando e não fazendo algo pior, afinal o que há de mal em vender algo na feira ou em qualquer outro lugar? 
Quando você ajuda pai/mãe que tem uma loja ou empresa é muito diferente de trabalhar para outra pessoa. Os pais liberam pra estudar para uma prova, fazer um trabalho em grupo ou outras coisas do tipo porque na realidade sabem da importância do estudo para os filhos. Trabalhar para outras pessoas não dá a mesma liberdade e os estudos acabam sendo deixados de lado.

Temos que combater algo que é cultural e que só com muita informação poderá mudar.

Outra coisa que lembrei enquanto escrevia o post foi dos trabalhos que não são pesados, algo como panfletagem. Um vez encontrei um amigo da minha filha panfletando no Centro, na época da temporada, cheguei em casa e falei pra ela: olha, encontrei o fulano aproveitando as férias pra trabalhar. Não foi um comentário de censura, foi do tipo e você aí só passeando e vendo TV. Mas hoje lendo para fazer o post me perguntei: ele tinha idade pra isso, quantas horas ficava ali, quanto ganhava pra isso? E porque me vi pensando nessas coisas? Por estar lendo sobre e participando dessa campanha que combate ao trabalho infantil através de discussões e informação. Isso tudo fez eu me questionar e fará outras pessoas se questionarem também.

Se você quiser se informar e participar das discussões acesse a Fan page da Pró-menino clique aqui

Voltando aos comentários da reportagem, li algo que resume bem contra o que se está lutando e a importância da reportagem divulgar que o trabalho infantil ainda existe em muitos lugares.

"Trabalho infantil é coisa séria. Nosso amigo Diego Marques, aí embaixo, achou a reportagem sensacionalista, mas não questiona o tipo de trabalho que as crianças e adolescentes mostrados estão executando. Pela lei, criança não trabalha: deve estudar e bruncar. É o natural para o bom desenvolvimento. A partir dos 14 anos, o adolescente pode trabalhar como aprendiz, sem prejudicar os estudos, um trabalho técnico, que o ajude a definir uma profissão para o futuro.!" (Nilza Murari)







Alguém me diz se realmente esse tipo de trabalho é o que dignifica o homem?


Post para Blogagem coletiva proposta por Sam Shiraishi do blog A vida como a vida quer

Um comentário:

  1. Fantástico, Monika! A minha mãe, qdo mostrei o site da campanha, disse "que não era contra o trabalho infantil", e isso me chocou vindo de uma professora. As pessoas não entendem que o mundo do trabalho mudou, o estudo mudou, e essas crianças estarão FORA, delas serão tiradas, e não dadas mais oportunidades por conta dessa prática prematura de trabalho. E se queremos filhos longe de drogas e más companhias, devemos buscar outros meios para tal! Beijos!

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